domingo, 1 de julho de 2012
“Ei, ei.. tá tudo bem aí?
Tá sim, por que?
Por que tu tá sentada aí sozinha no meio do parque, com os pensamentos longe, cara de choro e uma dor infinita que parece ser só tua, mas na verdade não é nem tua, nem de ninguém”
Alguns pensariam que esse tipo de pergunta e resposta são inadequadas, anormais e que só trariam mais tristeza do que a aparente preocupação. Não foi bem assim. Eu sorri, ela sentou e não disse mais nada até eu falar...
“Dizem que a maioria das pessoas só existem, sabia? Existem sem viver, mecanicamente, como se a chuva não tivesse cheiro e o olhar não dissesse nada
Hoje você é uma dessas pessoas? Que só existem?
Não, mas queria ser. Viver é bom, mas dá trabalho demais. Uma hora a gente cansa e espera até recuperar as forças pra voltar a viver novamente “
Eu suspirei, ela deitou na grama olhando pro céu.
“Acho que vai chover, tá cheio de nuvem e to sentindo cheiro de terra molhada”
Virei e olhei nos seus olhos.
“Eu também”
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Quando menos se esperava, ela gritou. Gritou bem alto chamando por alguém, mas o silêncio permaneceu intacto. Seu grito não era forte o bastante para alcançar as cordas vocais, pois o que sentia não tinha nome, nem sentido, nem vida. Lá estava ela sozinha olhando para o nada e, ao mesmo tempo, tentando juntar forças para voltar correndo ao momento em que deixou tudo se esvair. Ela gritava pela esperaça que outrora tivera, mas voara lentamente de suas mãos. Gritava pela falta de inocência, gritava por ter perdido o carinho. Gritava pelo medo que sentia por ter se transformado em outro alguém.
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Andava eu por uma rua sem fim, sonhando acordada, olhando o nada. Tudo parecia calmo, menos o vento que dava solavancos em minha pele. Parei pra pensar se algo facia sentido. Se a vida tinha algum sentindo. Sentei em um banco, acendi um cigarro, exaltei meus sentidos e entrei em contato com a matéria da qual faço parte. Vi numa planta um pedaço de mim, vi nos animais um pedaço de mim, vi na vida ao meu redor a complexidade da qual eu fazia parte. Não apenas por estar ali, mas por ver além de meu ser. Estava fora de mim, em contato com meus eus perdidos buscando algum sentido que não existia.
Quando sua cabeça tenta explodir e você descobre que não há como evitar. O sentimento que vem de dentro pra fora torna-se físico e traz consigo as piores sensações. A busca contínua da calma que insiste em não chegar, o desespero por procurar incansavelmente e nada encontrar acaba por trazer uma eterna agonia que não passa, não passa...
Seus sentidos ficam tão aguçados que você começa a perceber tudo ao seu redor. O vento torna-se terno e mais forte, dependendo da hora. O cheiro da chuva te alcança antes mesmo do barulho das gotas. O andar já não é mais o mesmo, o acúmulo de sensações acaba por fazer com que você se pergunte o que somos, se estamos realmente vivos ou se tudo não passa de uma imaginação ofuscada. O corpo torna-se tão leve e a alma tão pesada, tão pesada... que não se sabe mais se ainda é possível suportar. Tudo dói e não existe cura para dor na alma.
Seus sentidos ficam tão aguçados que você começa a perceber tudo ao seu redor. O vento torna-se terno e mais forte, dependendo da hora. O cheiro da chuva te alcança antes mesmo do barulho das gotas. O andar já não é mais o mesmo, o acúmulo de sensações acaba por fazer com que você se pergunte o que somos, se estamos realmente vivos ou se tudo não passa de uma imaginação ofuscada. O corpo torna-se tão leve e a alma tão pesada, tão pesada... que não se sabe mais se ainda é possível suportar. Tudo dói e não existe cura para dor na alma.
Tudo que se faz, tudo que se passa
Meu amor, a simples ameaçã
Da solenidade, a plena desgraça
Chega assim sem fim
Coração burro acolhido em teus anseios
Recorre ao mais belo sonho
Escondido em linhas de lembranças
Finas, rasgam ao serem puxadas
Um pouco ali, um pouco aqui
Abrindo espaços onde não deverim
Formando cicatrizes que eu não queria
Penso no tempo que deveria passar
Insuficiente para as linhas desgastar
Elas não criam teias, mas deixam de rasgar
Lembranças finas que passam pelo meu coração
Pedindo o tão sonhado ponto de costura
Vindo de uma voz, mas sem compaixão.
10/09/09
Meu amor, a simples ameaçã
Da solenidade, a plena desgraça
Chega assim sem fim
Coração burro acolhido em teus anseios
Recorre ao mais belo sonho
Escondido em linhas de lembranças
Finas, rasgam ao serem puxadas
Um pouco ali, um pouco aqui
Abrindo espaços onde não deverim
Formando cicatrizes que eu não queria
Penso no tempo que deveria passar
Insuficiente para as linhas desgastar
Elas não criam teias, mas deixam de rasgar
Lembranças finas que passam pelo meu coração
Pedindo o tão sonhado ponto de costura
Vindo de uma voz, mas sem compaixão.
10/09/09
terça-feira, 1 de junho de 2010
Há tanto para escrever, tanto para pensar e sentir. Há o acúmulo de sensações e a falta de momentos. Há o acúmulo de momentos e as lembranças de sensações, mas elas são fracas. A nostalgia é leve, não pesa, flutua.
Há quem diga ser gigante e conquistar o céu, há quem queira ser pequeno e viver de grãos. Há quem queira subir e descer no pé de feijão.
Existem os amores que rimam com dores mas, ao tentar a poesia, se esquecem dos "entrepores". Existem os extremistas e aqueles que não vivem o suficiente mas no final das contas, viver não é o bastante.
Existe o sexo, as pessoas e o meio termo. Existe a diversidade e a busca por consolo. E no meio termo de sexo entre pressoas que buscam consolo, existem as cores - sejam elas do arco-íris ou vindas do reflexo da luz do sol.
Existem o bem querer e a canção mal-me-quer. Existem o bem e o mal travando uma luta eterna para, no fim, serem (juntos) parte de um ser, humano ou não.
Há quem escreva, quem cante, quem pinte. Há quem tente demonstrar através de sua artes um pouco de si quando o coração grita para ser escutado. E há quem não deixe que ele se expresse e durma para esquecer.
Há quem diga ser gigante e conquistar o céu, há quem queira ser pequeno e viver de grãos. Há quem queira subir e descer no pé de feijão.
Existem os amores que rimam com dores mas, ao tentar a poesia, se esquecem dos "entrepores". Existem os extremistas e aqueles que não vivem o suficiente mas no final das contas, viver não é o bastante.
Existe o sexo, as pessoas e o meio termo. Existe a diversidade e a busca por consolo. E no meio termo de sexo entre pressoas que buscam consolo, existem as cores - sejam elas do arco-íris ou vindas do reflexo da luz do sol.
Existem o bem querer e a canção mal-me-quer. Existem o bem e o mal travando uma luta eterna para, no fim, serem (juntos) parte de um ser, humano ou não.
Há quem escreva, quem cante, quem pinte. Há quem tente demonstrar através de sua artes um pouco de si quando o coração grita para ser escutado. E há quem não deixe que ele se expresse e durma para esquecer.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Mente travada, quadro abstrato.
Viajava, viajava sim. Por todos os lugares de sua mente procurando uma saída ou, quem sabe, uma entrada. Os caminhos eram demasiadamente complexos e sua mente, por si só, era uma mistura de cores e lembranças.
Verde, azul, amarelo, vermelho, roxo, preto... Em cada cor: matrizes múltiplas. Em cada matriz: uma sequência de lembranças. Uma mistura de cores jogadas em um quadro branco formado por neurônios prá lá de agitados que indicavam o caminho que deveria ser seguido.
A Vida era a pintora responsável por tamanha displicência. Todos -ou quase todos- acreditavam existir uma lógica mas, na verdade, existia apenas o abstrato e diferentes formas de vê-lo. Cada um interpretava de uma maneira diferente, mas ela só seguia o seu curso independentemente de qual fosse.
Mariana via sua mente em forma de quadro e quase não acreditava que ele poderia ser tão colorido! Não que a Vida fosse uma boa pintora, mas seu quadro era uma obra de arte ao estilo Pollock: bela, confusa e colorida.
Horas passaram-se e Mariana observou a Vida dar suas últimas pinceladas. O quadro de sua mente estava pronto e sua alma o guardaria com muito cuidado, assim como fez com todos os outros que encontravam-se em sua galeria pessoal.
Em cada quadro, uma das muitas personalidades que ela teve durante a eternidade. Em cada cor uma das muitas lembranças que ela guardará... pela eternidade.
Viajava, viajava sim. Por todos os lugares de sua mente procurando uma saída ou, quem sabe, uma entrada. Os caminhos eram demasiadamente complexos e sua mente, por si só, era uma mistura de cores e lembranças.
Verde, azul, amarelo, vermelho, roxo, preto... Em cada cor: matrizes múltiplas. Em cada matriz: uma sequência de lembranças. Uma mistura de cores jogadas em um quadro branco formado por neurônios prá lá de agitados que indicavam o caminho que deveria ser seguido.
A Vida era a pintora responsável por tamanha displicência. Todos -ou quase todos- acreditavam existir uma lógica mas, na verdade, existia apenas o abstrato e diferentes formas de vê-lo. Cada um interpretava de uma maneira diferente, mas ela só seguia o seu curso independentemente de qual fosse.
Mariana via sua mente em forma de quadro e quase não acreditava que ele poderia ser tão colorido! Não que a Vida fosse uma boa pintora, mas seu quadro era uma obra de arte ao estilo Pollock: bela, confusa e colorida.
Horas passaram-se e Mariana observou a Vida dar suas últimas pinceladas. O quadro de sua mente estava pronto e sua alma o guardaria com muito cuidado, assim como fez com todos os outros que encontravam-se em sua galeria pessoal.
Em cada quadro, uma das muitas personalidades que ela teve durante a eternidade. Em cada cor uma das muitas lembranças que ela guardará... pela eternidade.
Assinar:
Postagens (Atom)