segunda-feira, 14 de abril de 2008

Hoje li uma carta e nela encontrei as palavras mais tristes. Vi uma paixão crescente desabar em linhas paralelas.
Eram apenas palavras, umas grandes e fortes, outras pequenas e fracas. Apenas palavras! Tentei ao máximo parar de lê-las, olha-las, mas a dor angustiante em meu peito pedia por mais, mais... mesmo sabendo o que causava-me, eu queria mais.
Um vício abominante chamado "palavras".
Em meio aos campos fúnebres que aguardam a paz pós-guerra tardia, crianças e adultos juntam os restos corpóreos daqueles que um dia foram seus aliados na luta contra a realidade.
- Por que tanto sangue, papai? - pergunta Tempesis ao pisar em uma poça sanguínea recém derramada.
- É isto que tu vês? Apenas sangue?
- Sim, papai.
- Pois olhe de novo, meu filho, olhe lembrando de tudo o que nós passamos, olhe com os olhos do coração e não com os da razão. Agora, diga-me o que vês e o por quê.
- Amor. Porque em cada gota de sangue está presente um sentimento: ódio, amor, perda, conquista, paixão, ilusao... no fim tudo resulta em amor; ele está no sangue e querendo ou não, corre em nossas veias, trás vida e quando se esvai, a morte.
- Vejo que estendeste seu significado, agora vá, ajude sua mãe com o resto dos corpos.