sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Ela estava parada em sua janela - mais uma vez - com a ponta de cigarro em suas mãos. Deixava a fumaça passar e por entre ela voavam pensamentos. Pensou na sua vida, pensou no porquê de estar naquele estado tão solitário, pensou no porquê de cada coisa até cansar e voltar a sua cama. Quando deitou-se pensou mais, e mais - maldita insônia que a atormentava -, até sua mente sentir-se esgotada e o sono chegar. Dormiu, eram quatro horas da manhã e tinha que acordar às seis, não se preocupou pois isso já era rotina. "Quando voltar da escola durmo mais", pensou. E assim aconteceu: acordou seis e meia, arrumou-se e seguiu para a aula. Mesmas pessoas, mesmos fatos, aulas diferentes, mas ainda sim chatas. Estava cansada, com sono, acostumada com o dia-a-dia sem diferenças, sem paixão nos atos. Chegou da escola e durmiu, nessa hora não pensou mais em nada, apenas apagou. Era um dia diferente, e ela não sabia.
- Acorda - alguém disse -, acorda!
Não era sua mãe, não era ninguém, apenas uma voz dizendo: acorda. Ela levantou, foi tomar seu banho sem se preocupar com aquela voz estranha e ao mesmo tempo familiar. Coisas desse tipo aconteciam sempre em seus sonhos e ela achou que fosse apenas mais um. Então, despediu-se de seus pais e foi beber com seus amigos. Nada de anormal, nada.
Chegando no bar percebeu algo direferente, um olhar marcando sua visão. Uma pessoa alheia a tudo encostada em um lugar meio afastado, ficou curiosa em saber quem era pois essa "pessoa" era tão "blasé". Isso a atraia e muito.
Trocas de olhares, conversas pacientes, sarcasmo, algumas brincadeiras e empatia. Ela se sentiu bem, pela primeira vez em muito tempo. O dia amanheceu e elas sairam pra ver o pôr-do-sol, outra coisa em comum: simplicidade. Tudo ia bem e então chegou a hora de ir embora. Não trocaram telefones, nem nomes, nem nada, apenas se despediram e seguiram com suas vidas. Foi apenas uma noite.
Elas não ligaram para a troca de informações, se encontrariam de novo, mas não hoje e nem amanhã. Talvez um dia e em outra vida.



É, estou aprendendo a ter paciência... A vida é feita apenas de momentos, nada mais.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

. Did you know what I lost? Do you know what I wanted? .

Realidade múltipla que brinca com meus neurônios. Pessoas, mentes vazias, gritam ao meu redor. Quero apenas silêncio. Silêncio. Deixe-me escutar meus pensamentos. Livre-me da distração incoerente. Quero entrar em meu mundo de sonhos, longe de todos, mas ainda sim, observando todos. Seja um filme sem som, uma letra sem música. Eles gritam, gritam como se fosse sua última palavra. Seu modo de se expressar é estranho. Por que falar tão alto? Por que interromper pensamentos alheios? Sussurem, façam de sua voz a coisa mais inaudível possível. Eu não quero ouvir, talvez nenhum de vocês queiram.


Temi estar aberta a qualquer tipo de compreensão. Temi ter alguém que entendesse minhas contradições e euforias. Temi o mais simples gesto de amor e carinho. Temi tudo ao meu redor, temi meus sonhos, temi meus vazios, temi meus pensamentos. Temi meus amigos, temi minha vida, temi minhas paixões. Fui o mais inocente dos seres. Temi tanto que criei um mundo só meu, onde ninguém poderia entrar, onde ninguém tinha acesso. Me fechei do jeito mais perfeito possível e por ele viajei durante muito tempo.
Descobri o outro lado da vida que ninguém percebe, fiquei atenta às pequenas coisas: o vento soando nos nossos ouvidos, a beleza de um por do sol, o barulho feito pela chuva incessante... Dentro desse meu mundo passei a analisar tudo e todos, a sentir o que cada sensação me proporcionaria, a pensar, a sonhar mais além.
Posso dizer que valeu a pena, me tornei mais sensível, mais calma, mais serena. Vejo as coisas com outros olhos, olhos que pouquíssimas pessoas possuem. E é aí que está o problema: pouquíssimas pessoas parecidas comigo. Isso é ruim. Sou um ser humano como qualquer outro, sinto falta de alguém, mas me acustumei com a solidão a tal ponto de não abrir mão dela. Um vazio imenso que ninguém pode preencher por completo...


"I'm so tired, of playing,
playing wih this bow and arrow..
I gonna give my heart away
leave it to the other girls to play.. "

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Hoje estou extremamente meiga e romântica, algo calmo tomou conta de meu ser e tudo isso foi por causa de um sonho. Dormi praticamente o dia todo e sonhei por minutos, minutos que pareceram uma eternidade; ninguém interrompeu, nada me acordou, eu tinha consciência do que estava acontecendo pela primeira vez e mesmo assim continuei lá, lá...
Lembro de cada detalhe, cada palavra, cada gesto. Foi tudo tão real, como se tivesse voltado no passado e não tenho a mínima dúvida de que voltei. Acredito em outros planos, reencarnação, vidas passadas, amor, alma gêmea - não disse que estava romântica? - e tudo que a maioria das pessoas considera besta e supérfulo. Sou assim: um poço de sensibilidade em certos momentos e um poço de frieza em outros.
Sentir, viver, acreditar...às vezes acho que sinto demais, que acredito demais, que sonho demais...mas o que seria de mim sem isso? Viver em meu próprio mundo, alheia aos outros, calma e tranquila, simplesmente sendo paciente.
Sentir, é essa a palavra chave. Eu faço isso todo dia com emoção e você?


"because one is the loneliest number that ever do..
one is the loneliest number that you ever know.. "

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Poderia dizer tantas coisas. Poderia dizer que sou apenas mais uma criança fugindo das limitações. Poderia dizer que tenho medo de encontrar alguém que faça meu coração balançar de novo. Poderia dizer que não quero mais ninguém na minha vida. Poderia dizer que me acustumei com meu espaço. Poderia dizer que não vivo sem minha liberdade. Poderia dizer que prefiro ficar em casa. Poderia dizer que cansei das pessoas, e que nem o pouco que tenho basta. Poderia dizer que busco por coisas novas. Poderia dizer que me tornarei sim o que pretendo ser. Poderia dizer que isso é o suficiente pra mim. Poderia dizer que eu sou apenas mais uma em meio a muitos. Poderia dizer que essa idéia não me agrada, mas é aceita. Poderia dizer que eu cansei de todos ao meu redor. Poderia dizer que queria encontrar alguém como eu. Poderia dizer que sonho com apenas uma noite perfeita. Poderia dizer que vejo meu futuro premeditado. Poderia dizer que sou extremamente sensível, mas ninguém percebe isso. Poderia dizer que sou extremamente fria, mas também ninguém percebe isso. Poderia dizer que a vontade, o carinho e o afago foram substituídos por olhares, conversas e "adeus". Poderia dizer que sonho com momentos, não vidas. Poderia dizer tudo isso, mas não disse.


"Why does my heart feel so bad? Why does my soul feel so bad?"