segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mente travada, quadro abstrato.

Viajava, viajava sim. Por todos os lugares de sua mente procurando uma saída ou, quem sabe, uma entrada. Os caminhos eram demasiadamente complexos e sua mente, por si só, era uma mistura de cores e lembranças.
Verde, azul, amarelo, vermelho, roxo, preto... Em cada cor: matrizes múltiplas. Em cada matriz: uma sequência de lembranças. Uma mistura de cores jogadas em um quadro branco formado por neurônios prá lá de agitados que indicavam o caminho que deveria ser seguido.
A Vida era a pintora responsável por tamanha displicência. Todos -ou quase todos- acreditavam existir uma lógica mas, na verdade, existia apenas o abstrato e diferentes formas de vê-lo. Cada um interpretava de uma maneira diferente, mas ela só seguia o seu curso independentemente de qual fosse.
Mariana via sua mente em forma de quadro e quase não acreditava que ele poderia ser tão colorido! Não que a Vida fosse uma boa pintora, mas seu quadro era uma obra de arte ao estilo Pollock: bela, confusa e colorida.
Horas passaram-se e Mariana observou a Vida dar suas últimas pinceladas. O quadro de sua mente estava pronto e sua alma o guardaria com muito cuidado, assim como fez com todos os outros que encontravam-se em sua galeria pessoal.
Em cada quadro, uma das muitas personalidades que ela teve durante a eternidade. Em cada cor uma das muitas lembranças que ela guardará... pela eternidade.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

"Nunca vi um dia como este. Não sei dizer se é belo ou feio." Macbeth


Sai assim, meio que sem rumo. Na verdade, rumo eu tinha mas não o queria.Arrumei-me toda: melhor perfume, minha blusa e calça preferidas, um certo brillho no olho e segui.
A lua à minha frente: clara e serena. O sol se pondo às minhas costas: misterioso, perdendo seu brilho. Era a hora perfeita para se terminar um relacionamento.Tão lindo...a luz, as cores... beleza e tristeza juntas, tão juntas que pareciam uma só.
Não soube dizer se era bom ou mal, mas por um minuto eu vi perfeição, uma perfeição contraditória. Linda, linda!
Quem disse que seguir é complicado? Não é não, pode até ser difícil no começo, mas de complicado não tem nada. Posso até me arriscar a dizer que seguir é uma das coisas mais fáceis do mundo porque quando você segue o que passa a vir é suave. A parte mais irritante é o desprender-se, deixar de gostar, jogar para o alto e fingir que tá tudo bem, tudo normal. Partindo daí vem a dormência, um tipo de saudade contida na qual tu desvia o pensamento e visa outra coisa, pode ser estudo, pode ser música ou até um back no final do dia. Ah e não posso me esquecer dos amigos dando infinitos conselhos, tá certo...é pra ajudar, mas custa parar de dizer o que eu já sei? Ta bom, sei que de tanto falar a coisa parece que gruda na nossa mente e toma rumo. Ajuda? Claro que ajuda, mas irrita. Podia deixar só os braços abertos pra um abraço inesperado...ia fazer uma diferença do cão.
E ai vem a parte mais alegre: festa, bebida, cachaça! Aliviar as mágoas, beijar muito e esquecer do mundo. Dançar com a cumplicidade da musica e a eficiência da caixa de som que faz o coração vibrar; nessa hora ele vive e vive bem, sentindo o redor, sentindo-se solto...até chegar em casa e perceber que o corpo que o sustenta ta mais pra la do que pra cá.
Dia seguinte é um tormento, vazio e vomito. Double V, combinação (im)perfeita e de quebra, quando o ultimo V passa vem o D, de dor, basicamente. Vazio e dor, combinação mais pesada que conheço. É estranho sabe? Tu escuta músicas calmas, sente o vento tocar tua pele, o sol fica mais poético e a luz perfeita. Com o passar dos dias a nossa sensibilidade vai ficando mais aguçada e o ambiente cada vez mais perfeito. Luz, sombra e cor formando um só. Daí que surgem bons poemas, músicas, pinturas... nunca ouviram dizer que relacionamento promove arte? Se não, ta ai. Investimento do caramba por sinal, se a palavra relacionamento fosse gente, estaria rico.
Então, amanhece. O sol nasce e seu coração renasce, é pior que gato..cheio de vidas. Suporta tudo, desde as piores pancadas até as alturas mais altas. Quando ele volta a pulsar de um jeito bom é porque tá na hora de seguir, não sei quanto tempo demora de um seguimento para o outro, na matemática não passaria de um papel, na vida o tempo é o espaço que dita.
Andava ela pela rua sem rumo. Não via ao seu redor, não via quem passava, não via nem quem era. Seguia apenas por seguir, não que essa simples caminhada fosse acrescentar algo à sua vida. Ela não queria isso, o correto seria (des)acrescentar, retirar o que pesava, aliviar seus pensamentos e alma. Fazia isso sempre que podia, geralmente em uma tarde de sexta-feira onde o final de semana estava apenas começando. O começo do fim. Contraditório e instigante.
Sorriu e seguiu, o vento batia forte dando a impressão de que queria algo dela. Batia contra sua pele querendo ser um furacão e levar tudo que podia sem sua permissão. Se ela soubesse, permitiria. Talvez até pedisse que a levasse também, sem nenhum motivo aparente, apenas por levar sabe? E quem sabe conhecer um outro lugar, um outro alguém, um outro ela sem ninguém.
Moça bonita, de olhos cor de mar, verdes e profundos. Cabelos ao vento, nariz empinado, sorriso descontraído e movimentos ritmados. Dança comigo, assim, devagar... pela vida em meio ao luar. Onde quer que eu esteja, onde quer que vá. Dança comigo nossa música preferida, aquela que o coração toca e faz o sangue pulsar, que eu não sei o nome mas não me impede de amar. Bem juntinho como se nunca fosse acabar.


Nessa noite tão fria, onde não há ninguém a nos observar peço às estrelas o caminho correto a seguir pois de você não quero desencontros. Sei que não há o pra sempre, mas se existe o amor que comigo ele sempre esteja! Moça bonita de olhos cor de mar, vem dançar comigo por essa linha torna e inacabável que a vida aparenta ser. Sei que não danço bem e já tive tropeços, mas sei me recompor e prometo não pisar no seu pé e se pisar, meu amor, perdoe minha falta de jeito.


Não prometerei a eternidade, apenas essa dança. Apenas eu e você, banhadas pelo luar, abençoadas pelo céu e guiadas pelas estrelas. Eu e você, moça bonita.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Personagens: sentimento, tempo, razão, saudade, amor, paixão.
Ambiente: cidade, coração

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A vida é feita de riscos. Correr riscos, crescer através dos riscos, sofrer pelos riscos, renascer em busca de mais riscos. A vida é uma coisa riscada. Dali, daqui e acolá. Riscada de várias maneiras e com várias linhas. Linhas de amor, linhas de saudade, de desespero, de paixão e de todos os milhares de sentimentos que um ser humano é capaz de sentir. A vida é um papel quadriculado que forma linhas e caminhos nos quais tu se perde, se acha, busca linhas e desvenda o labirinto - bem, nem sempre. Não há nada que diferencie a vida de um papel, seja qual for, tu vai riscar de qualquer jeito. Risque se riscando, risque [a]rriscando.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Um todo, eu.


Eu olho a mim e vejo um corpo cheio de defeitos
Procuro a cura, procuro aprendizado
Um remédio ainda não inventado.
Passo dias a refletir
Esqueço o mundo que me faz
Busco uma ideologia, sonho com liberdade
Quero voar com os pés no chão
Viver o que me convém
Sem complicações, sem ninguém.
Conhecer a si, a ele, a nós
O mundo inteiro,
Um só totalitário, um todo sozinho
Eu, tu, ele
Nós, vós
A gente.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Meu vício, minhas palavras


Eu tenho um vício.
Um vício chamado: palavras.
Palavras doces, corriqueiras,
Sentimentais...
Palavras, apenas palavras
Simples ou banais,
Indulgentes, todas iguais.
Saem assim pela minha boca.
O dito pelo não dito
O som sem atrito.
Falo muito, sinto mais ainda.
Deixo o ar entrar...
Suspiro, respiro, atinjo.
Com o coração em chamas
Deixo o som passar
Não é um "eu te amo!"
Muito menos um "fica comigo sempre?"
É um "adeus, não quero mais te machucar."
A doçura transformou-se em raiva
Trazendo consigo arrependimento
Corrompendo assim, aquele sentimento.
Não há mais voltas, não sei onde encontrar
O botão "retornar".
Palavras, um vício chamado: palavras.
Desconexas linhas


Eu finjo conhecer a ti e tu pensas conhecer a mim.
Palavras ditas em momentos solitários
Que completam-se dando início a sorrisos.
Firmam lá no fundo algo que desconhecemos,
Mas que sobrepõe-se a qualquer achismo.
Não sei quem tu és,
Não sabes quem sou.
Nos conhecemos por linhas sem entendimento
Contentando-se com palavras.
Palavras minhas que te destroem,
Ações tuas que me corroem.
E o tempo passa...
Passou ele, passamos nós.
Chegamos a ele:
"Piedade, piedade! Tenha piedade de nós."