Mente travada, quadro abstrato.
Viajava, viajava sim. Por todos os lugares de sua mente procurando uma saída ou, quem sabe, uma entrada. Os caminhos eram demasiadamente complexos e sua mente, por si só, era uma mistura de cores e lembranças.
Verde, azul, amarelo, vermelho, roxo, preto... Em cada cor: matrizes múltiplas. Em cada matriz: uma sequência de lembranças. Uma mistura de cores jogadas em um quadro branco formado por neurônios prá lá de agitados que indicavam o caminho que deveria ser seguido.
A Vida era a pintora responsável por tamanha displicência. Todos -ou quase todos- acreditavam existir uma lógica mas, na verdade, existia apenas o abstrato e diferentes formas de vê-lo. Cada um interpretava de uma maneira diferente, mas ela só seguia o seu curso independentemente de qual fosse.
Mariana via sua mente em forma de quadro e quase não acreditava que ele poderia ser tão colorido! Não que a Vida fosse uma boa pintora, mas seu quadro era uma obra de arte ao estilo Pollock: bela, confusa e colorida.
Horas passaram-se e Mariana observou a Vida dar suas últimas pinceladas. O quadro de sua mente estava pronto e sua alma o guardaria com muito cuidado, assim como fez com todos os outros que encontravam-se em sua galeria pessoal.
Em cada quadro, uma das muitas personalidades que ela teve durante a eternidade. Em cada cor uma das muitas lembranças que ela guardará... pela eternidade.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
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