quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quando menos se esperava, ela gritou. Gritou bem alto chamando por alguém, mas o silêncio permaneceu intacto. Seu grito não era forte o bastante para alcançar as cordas vocais, pois o que sentia não tinha nome, nem sentido, nem vida. Lá estava ela sozinha olhando para o nada e, ao mesmo tempo, tentando juntar forças para voltar correndo ao momento em que deixou tudo se esvair. Ela gritava pela esperaça que outrora tivera, mas voara lentamente de suas mãos. Gritava pela falta de inocência, gritava por ter perdido o carinho. Gritava pelo medo que sentia por ter se transformado em outro alguém.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Andava eu por uma rua sem fim, sonhando acordada, olhando o nada. Tudo parecia calmo, menos o vento que dava solavancos em minha pele. Parei pra pensar se algo facia sentido. Se a vida tinha algum sentindo. Sentei em um banco, acendi um cigarro, exaltei meus sentidos e entrei em contato com a matéria da qual faço parte. Vi numa planta um pedaço de mim, vi nos animais um pedaço de mim, vi na vida ao meu redor a complexidade da qual eu fazia parte. Não apenas por estar ali, mas por ver além de meu ser. Estava fora de mim, em contato com meus eus perdidos buscando algum sentido que não existia.
Quando sua cabeça tenta explodir e você descobre que não há como evitar. O sentimento que vem de dentro pra fora torna-se físico e traz consigo as piores sensações. A busca contínua da calma que insiste em não chegar, o desespero por procurar incansavelmente e nada encontrar acaba por trazer uma eterna agonia que não passa, não passa...
Seus sentidos ficam tão aguçados que você começa a perceber tudo ao seu redor. O vento torna-se terno e mais forte, dependendo da hora. O cheiro da chuva te alcança antes mesmo do barulho das gotas. O andar já não é mais o mesmo, o acúmulo de sensações acaba por fazer com que você se pergunte o que somos, se estamos realmente vivos ou se tudo não passa de uma imaginação ofuscada. O corpo torna-se tão leve e a alma tão pesada, tão pesada... que não se sabe mais se ainda é possível suportar. Tudo dói e não existe cura para dor na alma.
Tudo que se faz, tudo que se passa
Meu amor, a simples ameaçã
Da solenidade, a plena desgraça
Chega assim sem fim
Coração burro acolhido em teus anseios
Recorre ao mais belo sonho
Escondido em linhas de lembranças
Finas, rasgam ao serem puxadas
Um pouco ali, um pouco aqui
Abrindo espaços onde não deverim
Formando cicatrizes que eu não queria
Penso no tempo que deveria passar
Insuficiente para as linhas desgastar
Elas não criam teias, mas deixam de rasgar
Lembranças finas que passam pelo meu coração
Pedindo o tão sonhado ponto de costura
Vindo de uma voz, mas sem compaixão.

10/09/09