Não possuo rimas de efeito
E nem frases complicadas
Cada linha é um pensamento vago
Vindo da mais pura dor
A dor do não haver.
Aprendi a conviver com pequenos gestos de carinho
Momentos que eram meu alicerce,
Que alimentavam o desejo de ver o sol nascer
Hoje nada disso existe mais, não hoje.
Lágrimas foram derramadas sobre uma mesa
Músicas foram cantadas com toda a força que me restava
Agora não há nada, apenas o vazio,
Uma folha em branco e uma grafite desgastada.
Admirei pessoas,
Tive amores platônicos,
Sonhava com um amanhã diferente,
Mais intenso.
Resgatei amizades, preservei qualidades
Fechei meus olhos para escutar o vento
Juntamente com as batidas do meu coração
De nada adiantou, o vazio continuou lá
A dor continuou lá.
Tive vontade de me jogar de um prédio
Voar...cair, cair e cair
Cada vez mais.
Não consegui, nem tentei.
Quis implorar por uma palavra de consolo
Um colo em que pudesse desabar
Para depois juntar os pedaços descolados
Não consegui, nem tentei.
Permaneci estática, imóvel
Não lutei, me entreguei completamente
E o vazio que antes dominava apenas meu coração
Tomou conta de toda minha alma.
Sua luz foi se apagando
Ela já não brilha mais.
Meu corpo cedeu e eu desabei
Sem braços para me amparar.
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