segunda-feira, 23 de junho de 2008

Ela estava parada em sua janela olhando a fumaça passar por entre seus dedos. Eu a tocava suavemente, sua pele correspondia com um leve arrepio, assim como seus olhos ao dar-se conta da magnitude da lua. Tudo passava devagar, em câmera lenda. O barulho da TV já não importava mais, o som do ventilador era substituído pela música que vinha de seu quarto. Era uma troca, troca de sentidos, troca de medos e aflições, troca de desejos.
Ela não pensou mais em nada, deixou-se levar, deixou-se sentir, como a muito tempo não fazia. Ficou lá por horas a fio, apenas observando, apenas sentindo...
A lua cedeu seu lugar aos raios tímidos do sol, parecia até que ele estava pedindo permissão para nascer, e ela... ela concedeu, mas não sem antes convidar sua mais nova companhia para um outro passeio.
O mundo dos sonhos as acolheu com um abraço caloroso, e a menina que antes fazia uma viagem por de trás de sua janela passou a utilizar um novo meio de transporte: sua cama.
E assim ela foi, sem me dizer quando voltaria e até hoje espero para tocar-lhe a pele macia novamente.


Vento.

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